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Quem é a Brookfield, a empresa canadense que investiu quase R$ 27 bilhões no Brasil em 5 anos

28/02/2018

Empresa, que aproveitou a crise para comprar negócios de companhias em apuros como Odebrecht e Petrobras, anunciou investimento na Renova nesta terça; criada em 1889, construiu bondes elétricos de São Paulo e Rio e foi dona da Light.

A canadense Brookfield anunciou nesta terça-feira (27) um aporte de R$ 650 milhões na Renova Energia. Esse é mais um dos negócios fechados pela empresa, que nos últimos anos aproveitou a crise econômica e veio às compras no Brasil. De 2013 para cá, ela investiu quase R$ 27 bilhões por aqui, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e da própria empresa.

Os valores não consideram os aportes feitos por empresas nas quais a Brookfield tem participação, como a Arteris, dona de concessões das rodovias Fernão Dias e Regis Bittencourt. Eles também não consideram o negócio fechado com a Renova.

A Brookfield é uma gigante global em gestão de ativos, com US$ 265 bilhões aplicados em negócios e investimentos em mais de 30 países. A companhia é considerada low profile e pouco conhecida dos brasileiros – apesar de ter começado seu negócio no país como fundadora da Light e ter sido uma das responsáveis pela iluminação do Cristo Redentor (leia mais abaixo).

Seus executivos são avessos a entrevistas e sua estratégia de negócios é revelada em raras declarações à imprensa. A empresa foi procurada pelo G1 e não quis dar entrevista.
A empresa é especialista em aproveitar crises para investir onde poucos têm coragem (ou dinheiro). E foi protagonista nas aquisições no Brasil nos últimos anos. Entre os negócios em que investiu estão ativos de energia e infraestrutura de empresas atingidas em cheio pela recessão e pela operação Lava Jato, como EzTec, Odebrecht e Petrobras.
No total, a Brookfield tem aproximadamente R$ 60 bilhões aplicados no Brasil e um time local de 16 mil funcionários, incluindo profissionais de investimento e de operações.

O que ela comprou
Veja onde o dinheiro foi aplicado de 2013 para cá:

Investimentos em ativos florestais no valor de R$ 1,3 bilhão
Compra de 26% da VLI por R$ 1,9 bilhão
Compra de ativos do grupo Energisa por R$ 1,8 bilhão
Compra de 7 imóveis da BR Properties por R$ 2,07 bilhões
Compra de 90% da Nova Transportadora do Sudeste (NTS) da Petrobras, por R$ 16 bilhões (parte do investimento foi vendido posteriormente para a Itaúsa por cerca de R$ 1,4 bilhão)
Compra de 70% de participação na Odebrecht Ambiental (agora chamada BRK Ambiental), por R$ 3,2 bilhões
Compra de torre da incorporadora EzTec por R$ 696 milhões
Compra do controle de uma concessão rodoviária (a Rutas de Lima) e de um projeto de irrigação (Olmos) que a Odebrecht tinha no Peru
Além desses investimentos, a Brookfield se associou à espanhola ACS para administrar as concessões de quatro linhas de transmissão que a companhia detinha, em 2016. Posteriormente, junto com a parceira, arrematou outras três. Os sete projetos, juntos, somam 4,2 mil quilômetros de linhas de transmissão e demandarão aportes de R$ 9 bilhões até 2020.

A companhia fechou ainda, em 2015, um contrato para construir a nova sede da L’Oréal no Rio de Janeiro, por um valor não divulgado. A canadense é dona de 70% do imóvel, que fica no Porto Maravilha e foi entregue em julho deste ano.

Ela ainda é cotada como possível compradora para alguns negócios que estão na mesa: a venda pela Petrobras de uma participação na Braskem (que é controlada pela Odebrecht), a venda da companhia de energia Âmbar pela JBS, e a venda de concessões rodoviárias detidas pela Odebrecht Transport.

Fonte: G1