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Produtividade na indústria em 2017 cresce 4,5%, aponta pesquisa da CNI

28/02/2018

Resultado significa que indústrias produziram mais com menos horas trabalhadas; avanço está relacionado a investimentos em tecnologia e aos cortes de pessoas realizados durante a crise econômica.

Brasil teve um aumento na produtividade de 4,5% em 2017, de acordo com a pesquisa divulgada nesta quarta-feira (28) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O estudo foca em indústria de transformação, considerada aquela que transforma matéria-prima em produto final. O bom resultado pode ser reflexo do momento de crise econômica vivida pelo país, que levou as empresas a enxugarem suas equipes e os funcionários restantes a trabalhar mais intensamente.

A pesquisa mostra que o volume produzido na indústria cresceu 2,2% no ano passado, enquanto o o número médio de horas trabalhadas nas empresas caiu na mesma proporção. Na prática, isso significa que as empresas estão produzindo "mais com menos".

“Se a empresa fica mais eficiente, é possível produzir mais”, explica Renato da Fonseca, gerente de pesquisa e competitividade da CNI. Segundo a CNI, dois fatores levaram ao aumento da produtividade no ano passado.

Infraestrutura: As fábricas menos produtivas acabam fechando suas portas, com isso cai a proporção desse tipo de fábrica no país.
Trabalhadores: Durante a recessão, cortes de equipe são comuns e a tendência é que as empresas retenham os colaboradores mais produtivos e dispensem os que não produzem tanto.
Esse efeito está relacionado a busca pela sobrevivência, por parte das empresas, e pela manutenção do emprego, por parte dos trabalhadores, explicou Fonseca.

Segundo ele, esse comportamento é mais perceptível em momentos de crise, quando empresas precisam ser mais eficientes, reduzindo custos, aumentando assim a sua produtividade. Os funcionários também tendem a se esforçar mais em períodos recessivos.

Nos últimos 10 anos, a produtividade da indústria brasileiras cresceu 8,4%, segundo a CNI. No entato, o Brasil ainda é um dos últimos países no ranking de competitividade da própria confederação da indústria (leia mais abaixo).

Na prática

m Lagoa Santa (MG), uma fábrica que produz um scanner de extensão utilizado em presídios conseguiu reduzir seu tempo de produção quase na metade. “Antes a gente levava em torno de 6 a 7 dias e agora conseguimos fazer em 3, no máximo 4 dias”, conta Rodrigo da Silva, gerente de produção da indústria.
so ocorreu mesmo em um momento em que a empresa precisou cortar pessoas. Para conseguir suportar o aumento de trabalho com uma equipe menor, a companhia teve que repensar a estrutura da fábrica. Ela instalou carrinhos com as ferramentas necessárias para a produção ao lado do trabalhador, reduzindo em 80% a movimentação de pessoas na fábrica.

"Com essas melhorias, ajudou a sentir menos o impacto de perder pessoas", afirmou Silva.

Fonte: G1